Viés de Confirmação: o quanto queremos acreditar no que ouvimos?

Não raramente somos impactados com histórias de negócios e empreendedores de sucesso, que começaram na sala da própria casa e se tornaram bilionários. Ou ainda, como uma pessoa comum alcançou absoluta satisfação ao desistir de seu emprego e passar a viajar pelo mundo inteiro.

Essas histórias estão por todos os lados porque nós as adoramos. Elas mexem com nossas emoções e nos fazem questionar: “e se?”.

  • “E se eu tivesse lido essa biografia há dez anos atrás?”
  • “E se eu não tivesse aceitado esse emprego e fosse morar no campo?”
  • “E se eu tivesse começado a fazer dieta na segunda-feira passada?”

É claro que não há problema nenhum nisso, na verdade, pode ser um exercício bastante útil, que clareia o caminho à frente, e nos torna gratos por aquilo que já temos. Mas não é por isso que não devemos ter cuidado com o quanto somos influenciados por palavras conscientemente selecionadas por quem está nos contando todas essas aventuras.

Em geral, nós até conseguimos filtrar bem o que estamos consumindo, o problema é quando queremos acreditar, e acabamos caindo no chamado “viés de confirmação”. Se acreditamos que todos os políticos são corruptos, por exemplo, qualquer notícia sobre corrupção por qualquer político já será motivo mais do que suficiente para confirmarmos nossa opinião. Da mesma forma, se cremos que para que uma empresa tenha sucesso basta ter força de vontade, sempre que ouvirmos ou lermos histórias em que a força de vontade do empreendedor é exaltada como fundamental, tendemos a internalizar ainda mais essa crença, inclusive usando as próprias histórias como base para a nossa fé.

Entretanto, há ainda o irmão menos famoso do viés de confirmação, o “viés de desconfirmação”, que nos faz exigir evidências muito mais fortes daqueles que questionam aquilo que tomamos por verdade do que daqueles que afagam os nossos egos. Não é difícil perceber o viés de desconfirmação em torcedores de futebol, por exemplo: quando erram contra o seu time é uma clara e inequívoca evidência de que o árbitro o fez de propósito; quando é o contrário, diz-se que é “do jogo” e que “todos estão sujeito ao erro”.

Particularmente, acredito que se algo não está sendo feito pela imensa maioria das pessoas, então, talvez, esse algo não seja assim tão fácil ou bom quanto querem te fazer pensar. 

Pense em quantas pessoas você conhece que bebam água todos os dias. É possível que você tenha pensado em todas elas (ou quase isso).

Agora pense em quantos conhecidos seus bebem vodca com a mesma frequência. Acredito que a proporção seja menor do que no primeiro exemplo.

Isso porque no primeiro caso a escolha é praticamente inequívoca – não podemos viver sem água -, enquanto no segundo caso ela depende muito das experiências pessoais de cada um.

Você pode querer beber vodca diariamente e pensar que está fazendo um ótimo negócio, mas ainda assim, é melhor buscar o máximo de informações possíveis para te ajudar a tomar essa decisão.

Isso quer dizer que precisamos pensar muito bem antes de aceitar opiniões e versões que ouvimos por aí, mesmo que pareçam verdade, e principalmente se já estivermos muito dispostos a acreditar nelas.

Em tempos de tantas pílulas douradas, estar atento aos detalhes é tão importante como sempre.

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